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05 de junho | Dia Mundial do Meio Ambiente

05/06/2024



Por Edson Carvalho


Chico Mendes, certa vez, disse que “Ecologia sem luta de classes é jardinagem”. Tal máxima nos leva a refletir sobre nosso compromisso ético, social e político, sobretudo quanto ao que significa a preservação do meio ambiente e sua relação com o futuro da atual geração, bem como a realidade que será vivenciada pelas gerações futuras.


Hoje, 5 de junho, é marcado como o Dia Mundial do Meio Ambiente. A data foi definida pela Organização das Nações Unidas (ONU), durante a Conferência de Estocolmo, ocorrida no ano de 1972. No entanto, a preocupação com o meio ambiente não se resume a um só dia. Temos acompanhado no decorrer dos últimos anos uma série de catástrofes ocasionada pela crise climática instaurada. Junto a isto, percebemos que invasões de territórios indígenas e de demais reservas vem fragilizando ainda mais a integridade ambiental e corroborando as destrutivas consequências.


Em paralelo, a negligência governamental por parte dos poderes públicos – como o desmonte de políticas de proteção ambiental e territorial e o avanço de projetos de emendas que viabilizam a apropriação de tais espaços por grandes empreendimentos – fortalecem a estrutura histórica de apropriação em prol da devastação do meio ambiente, comprometendo a vida humana. Podemos pensar também em projetos políticos como o AMACRO, que visava o “desenvolvimento sustentável” da região que engloba os estados Amazonas, Acre e Roraima, mas que em 2022 foi o responsável por mais de 35% do desmatamento da Amazônia, segundo dados do Sistema de Alerta de Desmatamento do Imazon.


A Organização que decretou a corrente data como o Dia do Meio Ambiente, também mostrou, por meio de sua Governança Florestal por Povos Indígenas e Tribais, que os povos indígenas são os maiores defensores da floresta e do meio ambiente. Contudo, não há garantia de proteção à natureza quando a vida destes protetores está agressivamente ameaçada. A exemplo, temos lideranças como Ari Uru eu Wau Wau, do povo Jupaú, assassinado há 4 anos por defender seu território.


Não podemos nos esquecer também da morte daqueles que, por entenderem sua responsabilidade para com o mundo e sua preservação, foram tombados na luta pela defesa do meio ambiente. Dom Phillips e o indigenista Bruno Pereira são fortes exemplos que figuram o amplo histórico de assassinato de ambientalistas no Brasil, o segundo país mais letal para protetores da floresta, segundo a Global Witness.


Assim, nos cabe lembrar recorrentemente que o Dia Mundial do Meio Ambiente deve ser uma data para nos atentarmos ao que está acontecendo com a natureza que nos circunda, e que ainda resiste. Não se trata de uma data celebrativa, mas da reafirmação do compromisso que é necessário ser adotado por cada um de nós, para a garantia da vida. Que tenhamos sempre em mente que não devemos voltar nossa atenção ao meio ambiente apenas em um dia específico, ou em um único mês do ano.


Que o 5 de junho seja todos os dias.


……….


Edson Carvalho - Psicólogo do Vida e Juventude, vinculado ao Programa de Proteção aos Defensores(as) de Direitos Humanos, Comunicadores(as) e Ambientalistas (PPDDH).

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