Oficina do PPDDH/Vida e Juventude fortalece mulheres indígenas na proteção e autoproteção de suas comunidades
- ASCOM

- 18 de jul. de 2025
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Atualizado: 21 de jul. de 2025
18/07/2025

Atividade em Manaus reuniu lideranças, organizações e especialistas para criar estratégias coletivas de enfrentamento a riscos, violências e ameaças
De 23 a 25 de junho, Manaus (AM) recebeu mais uma edição da Oficina de Proteção e Autoproteção, organizada pelas equipes técnicas de Manaus e Brasília do Programa de Proteção aos Defensores(as) de Direitos Humanos, Comunicadores(as) e Ambientalistas (PPDDH), vinculado ao Vida e Juventude, em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC). A atividade foi voltada para mulheres e contou com a presença de lideranças das Redes de Mulheres Indígenas Munduruku, Maraguá e Sateré-Mawé.
O objetivo foi fortalecer estratégias de proteção e autoproteção, promovendo a adoção de medidas que reduzam a exposição a riscos e ameaças enfrentados pelas lideranças e suas comunidades. A programação teve a participação de representantes da Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA), Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (SEJUSC), Ministério Público Federal (MPF), Humaniza Coletivo Feminista e da Abaré Escola de Jornalismo.
A oficina contou com rodas de conversa e trocas de saberes, que abordaram temas como saúde mental, segurança da informação, comunicação popular, proteção institucional e criação de redes.
Troca de saberes e compartilhamento
Tomando como ponto de partida a perspectiva do acolhimento e do compartilhamento para o fortalecimento individual e coletivo das participantes, as atividades foram organizadas e conduzidas pelas equipes e parcerias de forma a proporcionar um espaço seguro para a fala e a escuta de todas as lideranças.
Marilha Freire, presidenta do Humaniza Coletivo Feminista, ressaltou que a oficina criou um ambiente para as mulheres partilharem suas experiências individuais e trajetórias, permitindo uma compreensão coletiva das violências territoriais. “Essa oficina possibilitou um espaço muito rico de ouvir as mulheres, suas experiências individuais e suas trajetórias marcadas por violências nos territórios, percebendo os ataques aos territórios como violências contra si mesmas. E trouxe também a força coletiva que une essas mulheres, mesmo sem se conhecerem, e a ideia de que elas podem levar esse acolhimento para os seus territórios, criando momentos de encontro, partilha e fortalecimento para seguirem na luta.”

Na roda de conversa sobre comunicação e segurança da informação, o jornalista Gave Cabral reforçou a importância do diálogo entre saberes. Cabral destacou a necessidade de compreender o ambiente digital para navegar com maior segurança, estabelecendo proteções adequadas enquanto se avança nas iniciativas. Ele sublinhou a comunicação e as tecnologias como espaços em disputa que requerem proteção. “Esses momentos de confluência são muito importantes para unir noções mais técnicas com os conhecimentos que as lideranças já trazem das suas vivências. Isso fortalece as estratégias de cuidado e proteção para que possamos avançar com mais segurança, sabendo que a comunicação e as tecnologias são espaços em disputa que também precisam de proteção.”
A comunicação comunitária, bem como os caminhos e possibilidades para uma atuação mais efetiva e segura no ambiente digital, foram discutidos durante a programação pela jornalista Taís Acácio e pela publicitária Andressa Barroso, integrantes do Abaré Escola de Jornalismo. Taís, jornalista amazônida, destacou a potência da comunicação popular e enfatizou a importância das mulheres nos territórios, ressaltando que a oficina foi mais uma troca de experiências do que uma instrução unilateral. “Essa oficina foi uma troca. A comunicação é algo que essas mulheres já fazem, e nosso papel é ajudar a direcionar e potencializar, para que suas vivências sejam cada vez mais ouvidas.” Andressa complementou: “Amplificar essas vozes é o nosso legado. Comunicar é nossa grande arma para romper barreiras e potencializar histórias que precisam ser contadas.”

Em outro momento, Letícia Alves, da SEJUSC, compartilhou informações sobre uma importante iniciativa focada no combate ao racismo nas comunidades. A discussão centrou-se na implementação do Estatuto da Igualdade Racial, abrangendo não apenas pessoas negras, mas também povos indígenas e comunidades tradicionais. A gerente enfatizou a importância de desenvolver ações específicas voltadas para os povos originários: “Implementar o Estatuto da Igualdade Racial também passa por ações com os povos indígenas. Esta roda de conversa é o início de muitos encontros para combater o preconceito.”
Durante a programação, Wanja Dias e Bruna Martins Meireles, representantes da SEMSA, conduziram uma conversa importante sobre a necessidade de que as mulheres estejam atentas à própria saúde, com foco na saúde da mulher e no autocuidado. Também foram discutidos os desafios específicos que as mulheres indígenas enfrentam para acessar e serem acompanhadas pelo sistema de saúde, considerando as barreiras territoriais, culturais e estruturais que impactam diretamente seus direitos e sua qualidade de vida.

“A luta de uma mulher é a luta de todas”
As lideranças participaram ativamente das atividades, compartilhando experiências e estratégias coletivas para o apoio mútuo e fortalecimento do grupo. Ao final, as participantes puderam relatar suas percepções sobre a ação e discutir possibilidades de articulação e encaminhamentos futuros.
Egídia Seixas, liderança Maraguá, enfatizou o valor do conhecimento adquirido, especialmente no que diz respeito à proteção e orientação para vítimas de assédio. “Levo conhecimento para minha aldeia, orientação e segurança para as meninas que enfrentaram assédio. Vamos fortalecidas para proteger nosso povo.”

Milena Mura, coordenadora da OMIN, destacou como o evento fortaleceu a organização e as mulheres participantes, abordando temas específicos relacionados às suas problemáticas e lutas. A coordenadora enfatizou a importância do conhecimento sobre os direitos das mulheres e a força da união feminina. “Todos os temas abordados foram direcionados às nossas problemáticas, nossas causas, nossas lutas. Receber essas informações fortalece nós na base, na coordenação e como mulheres. A luta de uma mulher é a luta de todas.”
Articulação e redes de proteção
A Oficina reafirma o compromisso do Vida e Juventude em cuidar de quem cuida, promovendo trocas de saberes, formação e articulação para que cada mulher, liderança e comunidade esteja cada vez mais protegida e unida na defesa de seus direitos.
Como ressaltou a coordenadora assistente da ETF/PPDDH, Lusiene Ribeiro: “A realização de oficinas direcionadas para lideranças, com foco nas mulheres, reafirma nosso compromisso de fortalecer quem está na linha de frente na defesa dos direitos humanos. É um espaço de troca, escuta e construção coletiva de estratégias que respondem aos desafios reais enfrentados nos territórios. Além disso, a articulação com órgãos públicos e entidades da sociedade civil é essencial para garantir que a proteção e a autoproteção sejam práticas concretas e sustentáveis, potencializando redes de cuidado que protegem vidas e comunidades.”

A oficina faz parte de um conjunto articulado de ações promovidas pelas Equipes Técnicas do PPDDH, executada em âmbito federal desde 2009 pelo Vida e Juventude, por meio de convênio com o MDHC. O Programa articula medidas protetivas em conjunto com órgãos e entidades, buscando garantir a integridade física das defensoras e dos defensores em situação de risco, de modo a possibilitar a continuidade de sua atuação na promoção dos direitos humanos.
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ASCOM - Vida e Juventude
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