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Bruno Pereira e Dom Phillips : quatro anos de um crime que o Brasil não pode esquecer

  • Foto do escritor: ASCOM
    ASCOM
  • 4 de jun.
  • 2 min de leitura

04/06/2026


Relembrado no Dia Mundial do Meio Ambiente, o caso expõe os riscos sistêmicos enfrentados por quem atua na defesa da Amazônia e dos povos indígenas


Em 5 de junho de 2022, Dia Mundial do Meio Ambiente, o jornalista britânico Dom Phillips e o indigenista Bruno Pereira desapareceram durante uma expedição pelo Vale do Javari, no estado do Amazonas. Dias depois, as investigações confirmaram o temor que mobilizou o país e gerou indignação internacional: ambos haviam sido assassinados.


Quatro anos após o crime, o episódio permanece como um dos marcos mais cruéis da violência contra defensores socioambientais no Brasil. Os assassinatos expuseram os conflitos territoriais e a vulnerabilidade de quem se coloca entre a floresta e o crime organizado.


À época, Dom Phillips colhia entrevistas para o livro Como Salvar a Amazônia. Bruno Pereira, um dos maiores especialistas em povos isolados do país e servidor licenciado da Funai, orientava o jornalista e auxiliava a Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari) a estruturar o monitoramento territorial contra invasores.

As investigações revelaram que o crime ocorreu em um cenário dominado pela pesca e caça predatórias, atividades que, no Vale do Javari, conectam-se a redes de exploração ilegal que pressionam terras indígenas demarcadas. O caso não foi um evento isolado, mas o reflexo de uma região sob pressão constante de grupos que veem na impunidade a sua base de operação.


Um caso que permanece atual


Passados quatro anos, organizações indígenas e entidades de direitos humanos reiteram que a justiça plena ainda é uma demanda latente. Mais do que a busca pela responsabilização dos envolvidos, o assassinato de Dom Phillips e Bruno Pereira evidenciou uma realidade inegável: a defesa da Amazônia está, essencialmente, ligada à proteção da vida dos povos originários e de seus aliados.


A preservação da floresta depende da segurança das comunidades tradicionais e das pessoas que denunciam violações, monitoram ameaças e atuam na promoção da justiça socioambiental. Onde esses grupos são ameaçados e silenciados, toda a sociedade perde.


Quatro anos após as mortes de Dom e Bruno, suas trajetórias permanecem como um marco na discussão sobre a proteção dos direitos humanos no Brasil. Recordar esse episódio, em pleno Dia Mundial do Meio Ambiente, é reafirmar o compromisso com uma sociedade em que defender a vida e a dignidade humana não seja uma sentença de morte, nem motivo de perseguição.


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ASCOM - Vida e Juventude

 
 
 

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